Realização, pedagogia, criação e exibição de audiovisual.

domingo, 24 de abril de 2011

Entrevista exclusiva com Aline Bernardi - RJ

Bailarina, atriz, professora de dança e amante das palavras; formada pela Escola Técnica de Dança Contemporânea Angel Vianna e graduanda em dança pela Faculdade Angel Vianna. Co-fundadora e interprete do DUAL. Co-fundadora e idealizadora do coletivo Encontro Sutis – grupos esses fomentadores e pesquisadores de contato improvisação. Integrante do Programa de Aprendizagem em Movimento Autêntico no Rio de Janeiro, coordenado por Soraya Jorge. Integrante do Coletivo aCidade com propostas de intervenções urbanas. Co-fundadora do DAM – Difusão de Arte em Movimento.
Participou de espetáculos teatrais e intervenções performáticas dirigidas por Ana Kfouri (“Senhora dos Afogados”); Renato Carrera (“O ultimo Narrador”), Cris Larin (“Inocência e Pânico” e “Trajetória de um corpo depois de Morto”), Ana Paula Bouzas, Giti Bond, Alberto Renault (“Orfeu”), Guto Macedo (performances do Jardim Humano), Antônio Araújo (“BR3”), Camila Fersi, Frederico Paredes (Singular-Privilégio Coletivo).

Cinema Possível – Como você começou a se dedicar ao teatro?

Aline Bernardi - Sinto que o teatro vai me chamando, sinto que fui e vou sendo chamada pelo teatro. Meu primeiro despertar foi ainda no colégio quando Jiddu Saldanha, ele que me entrevista agora, plantou a semente de lindas flores que sua “mala da fama” leva aos lugares. Minha trajetória sempre esteve numa vontade de buscar e pesquisar o “corpo em movimento”; e é esse corpo pulsante e desejoso em desvendar-se e desdobrar-se que segue constante, a árdua e prazerosa tarefa de estar presente em sua sensação. Depois vieram e estão vindo encontros com pessoas que vão me proporcionando experiências e a descoberta de mim mesma nos processos de vivencias teatrais, compartilhando o  p a l c o  (e a vida) com Ana Paula Bouzas, Suzana Saldanha, Guto Macedo, Soraya Jorge e sendo dirigida por Ana Kfouri, Renato Carrera e Cris Larin.

CP – Como a dança surgiu na tua vida artística?

AB - A dança “É” em mim, ou melhor, a vontade de me movimentar. Sou uma apaixonada e curiosa pelo que me move e como um corpo humano pode se mover. Essa paixão me faz querer expressar com o corpo e no corpo e foi essa mesma paixão que me fez chegar e conhecer a escola de base na formação do meu corpo – Angel Vianna – e que lá dentro me fez tocar na pesquisa corporal que verticalizo meus estudos que é a técnica do contato improvisação, tendo tido o privilegio de pesquisar com Guto Macedo (um dos precursores da técnica no rio de janeiro, mas de estar experienciando e aprendendo com muitos outros encontros, danças e professores do mundo inteiro. Atualmente sou co-fundadora e integrante participativa de um coletivo  (e n c o n t r o s    s u t i s) que fomenta e promove o movimento do contato improvisação no Brasil e na América Latina.
Outro encontro de vida (e  a r t e ) pra mim também aconteceu dentro da Angel  - com Soraya Jorge que trouxe o trabalho do movimento autentico pro Brasil e que me orienta e me permite estar em conexão mais direta com a minha sensação, que pra mim é o termômetro essencial das escolhas mais verdadeiras.
E muitos outros encontros na dança da vida interferem na minha dança pessoal: camilo vacalebre, nita little, márcia rubin, fred paredes, ana paula bouzas, renata versiani, helia borges, jorge albuquerque, nikola bahna, leandro floresta, bernardo scotti, guilherme frederico, helena veiga, giulio lage, duda freyre, gloria bernardi... e tantos muitos outros que são em mim, que vivem e suam memória na minha carne!!
E o sentimento de gratidão e o sentido de permanência vem e são sustentados através da sensação de conexão com o universo!!!

CP  – Como foi, para você, a experiência de realizar 2 filmes com o projeto Cinema Possível?

AB - O projeto cinema possivel muito me emociona, mesmo, pois é essa eterna busca e descoberta pelas possibilidades que muito me comove. Foi por demais vivo e prazeroso o dialogo com a direção e o olhar de Jiddu, sempre atento ao momento de poesia espontânea que os espaços (urbanos, da emoção do ator, do gesto que surge, da câmera em movimento) captam e são captados, da poesia que nasce no  e n t r e !
O primeiro convite foi pra fazer um filme em homenagem à Laika, a cachorrinha que foi enviada pro espaço, achei a idéia extremamente curiosa e foi bem divertida e inesperada a experiência!
Depois um convite irresistível, um filme inspirado no livro de poesia “noite americana” de ronaldo werneck, que muito me provocou e tive o prazer e a delicada e gentil companhia em cena do ator Carlos Gracie.
Foi e é uma delicia receber os convites de Jiddu!!! E admiro muito a potencialidade de fazer vivo e agregar tantos artistas no  
c i n e m a   p o s s i v e l !!!

CP – Você também curte literatura, gosta de escrever. Fale um pouco dessa busca.

AB - A escrita é uma necessidade que sinto vir de impulsos dos meus fluxos internos, uma necessidade de compor com palavras, de brincar com os fluxos que o pensamento pode ter a partir de cada emoção vivida, de aprender com a musicalidade que cada palavra tem, de descobrir pra onde cada palavra pede pra ir. Sinto que minha escrita é uma vontade de   tocar    a    i m a g i n u r i a   é  na   m u s i c a n d i d a d e  palavra  que nasce     e s p a n t a n e a m e n t e !!
Tem uma frase de manoel de barros que muito revela a minha relação com as palavras: “não sou da informática, sou da invencionática”!  grata manoel!!


“i(n)v e n t o

vento
que   sopra
l e n t o”

(a l i n e  b e r n a r d i)

CP -  Quem são os artistas que te influenciaram durante o teu processo de busca e conquista da vida artística.

AB - A cada pedaço de tempo que vivo tenho encontros e influencias do próprio momento que se apresenta, estou começando um trabalho meu que está sofrendo uma grande influencia da poesia de manoel de barros e da literatura de joão gilberto Noll; musicalmente estou conectada com a sonoridade de vital farias e xangai e com alguns cantos populares conjugado também a musicalidade de bjork e do grupo irlandês sigur ros – as artes plásticas e o cinema muito me inspiram também: o movimento do impressionismo de monet e o expressionismo de van gogh e o cinema de bernardo bertolucci e as imagens criadas pelo cineasta wong kar wai estão sendo ponto de partida (ou de chegada) – para que as outras portas possam ir se revelando!!!

CP – Que filmes e diretores você gostaria de indicar para os nossos leitores?

AB - bernardo bertolucci – céu que nos protege, assedio, ultimo tango em paris
carlos saura – tango
akira kurosawa – sonho
almodóvar – fale com ela, volver
woody allen – tudo pode dar certo, vicky cristina barcelona
wong kar wai – 2046, beijo roubado
antonioni – zabriskie point , identificação de uma mulher
ingmar bergman – persona , sonata de outono
documentários – estamira , pierre verger (com direção de gilberto gil)

e indico “todas as imagens que tocarem na  n a s c e n t e  do seu sorriso!!!”
"clique AQUI para ver a exposição de cartazes dos filmes recomendados por
Aline Bernardi."

CP – Quem é Aline Bernardi por Aline Bernardi.

AB - a l i n e  é em mim mesma uma busca constante, um corpo em constante metamorfose, desejosa de voar e pisar na terra ao mesmo tempo; é um querer sustentar a sensação de  e s t a r   a l i (n) a n d o ... é  a l i,  a q u i , a s s i m... perto do coração e dentro da coragem!

LINKS.

Delicadeza Perdida:
Veja o trailler oficial.



Saiba mais sobre o coletivo de Difusão de Arte do qual Aline Bernardi faz parte.

Confira também o filme "Noite Americana" do projeto Cinema Possível do qual Aline participou como atriz.



quarta-feira, 6 de abril de 2011

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM LEO LOBOS

Leo Lobos é um poeta chileno muito amado pelos brasileiros. Nesta entrevista, feita em castelhano, esperamos mostrar um pouco deste artista tão querido para nós.

Fotografia: Sebastián Castillo -
en Peñalolén enero 2011.
Jiddu Saldanha – Relaté su experiencia con Brasil. ¿Lo que le tocó vivir y como eso sumó en su vida?

Leo Lobos - “Esta es una mañana/ del Brasil. Vivo adentro/ de un violento diamante, / toda la transparencia/ de la tierra/ se materializó/ sobre/ mi frente, / apenas si se mueve/ la bordada verdura, / el rumoroso cinto/ de la selva: / ancha es la claridad, como una nave/ del cielo, victoriosa” estos versos de Pablo Neruda, me hacen mucho sentido en relación a lo que me preguntas. Brasil es como todos nuestros países latinoamericanos una abstracción, la misma que solo las personas y su lengua logran hacer piel y espíritu, especialmente los brasileños poetas, artistas, escultores, músicos, arquitectos, diseñadores, editores, gestores culturales, periodistas con quienes he tenido la oportunidad de conversar y compartir experiencias creativas es decir, mucho más vida a la vida. Imposible no mencionar a Cristiane Grando, Jorge Bercht,  Bez Batti, Artur Gomes, Jiddu Saldanha, Ademir Bacca, Naiman, Tchello de Barros, Tanussi Cardoso, Helena Ortiz, Hebert Emanuel, Ademir Assunção, Tarso de Melo, Olga Bilenky, Antonio Miranda, Angélica Torres Lima, Ana Lúcia Vasconcellos, Lúcia Gönczy, Rubens Jardim, Claudio Daniel, a mis queridos amigos fallecidos José Luis Mora Fuentes, Hilda Hilst y Roberto Piva. Brasil me dio otra lengua, otro mundo de expresión, amistad, reconocimiento el vuelo, la trayectoria, el impulso, el tramo de aire recorrido en su ascenso.



Uma secreta forma 
"As palavras como o rio na areia
se enterram na areia"
Roberto Matta 
o automóvel está possuído pela força
dos animais que o habitam
como uma carruagem puxada por cavalos
sobre pedras úmidas de um passado verão
Rio de Janeiro aparece de repente como
a secreta forma que o Atlântico
deixa entrever de suas colinas de açúcar:
baleias à distância algo 
comunicam à nossa humanidade surda
e cegadas pelo sol preparam seu próximo vôo
caem uma vez mais como
o têm feito há séculos
caem e crescem nas profundezas
caem e crescem em seu líquido amniótico

           (Leo Lobos) 

Fotografía: Charlie Urrutia - en la
Corporación Cultural
de Peñalolén 2010.


JS – ¿Cómo es ser poeta y artista visual, la pintura y la poesía son prácticas separadas o juntas?

LL - La poesía es un desafío. Creo fundamental la vida que ilumina la palabra y la palabra que logra a la vez iluminar la vida a través de la poesía, y en la misma medida para mi la pintura, el dibujo, la fotografía, el video y cualquier otro medio de expresión creativa, que permita desarrollar niveles superiores de comunicación. Creo en la creación multimedia e interdisciplinaria, porque la mente es como un paracaídas, sólo funciona bien cuando esta abierta a todos los estímulos de nuestro entorno cultural. El arte es una fuerza que se exterioriza capaz de cambiar la vida. Un medio para dar intensidad a la vida, un medio para dar visibilidad a lo inexpresable en palabras.

JS – Las ultimas experiencias políticas de Chile parecen haber creado impacto em los intelectuales del país, que siente usted en relación a esto.
LL - Si los pueblos no se ilustran, si no se divulgan sus derechos, si cada hombre no conoce lo que puede, vale, debe; nuevas ilusiones sucederán a las antiguas y será tal vez nuestra suerte cambiar de tiranos, sin destruir la tiranía.
JS - No tenemos, en Brasil, mucha información sobre que período literario vive Chile actualmente. ¿Quiénes son los vanguardistas chilenos? ¿Hubo rupturas?

LL - Creo que estamos en un tiempo más bien de retaguardias artísticas aquí y en muchos lugares del mundo. La vanguardia en Chile del siglo XX tiene voces sumamente originales, dos poetas consagrados con el premio Nobel, y que forman un concierto armónico propio a pesar de la multitud de tendencias fragmentarias de nuestra época.

Uma visita ao zoológico fantasma 

"Livre da enfermidade, embora em meio à enfermidade"
Yagyu  Munenori
Tenho visto tanta merda de cão
nas ruas de Paris que devo
caminhar com cuidado à noite
é quando me parece então
escutar meninos e meninas fantasmas
rirem na fila de entrada do
zoológico que para eles ali se levanta:
um desfile de elefantes brancos cruza
a praça do Louvre fazendo
malabarismos com obras de arte e restos
de arqueologias extraterrestres, girafas
correm pelos Campos Elíseos comendo
as luzes natalinas que crescem em
suas árvores, baleias, delfins,
patos selvagens nadam pelo Sena
tragando turistas desprevenidos
que acendem flashes em seus narizes
leões copulam famintos
sobre os telhados como relíquias
de cristal de uma cidade iminente...
Hipopótamos ébrios se encalham em suas
ruas serpenteantes, em seus arcos triunfais,
em sua torre famosa...
Galeristas confusos
correm atrás de cavalos livres de
carrossel que levam gravada uma estrela
de ouro em seu flanco...
Bandos de aves tropicais cobrem a lua
de plumas de plástico que
ursos vestidos à la mode sopram
com ventiladores nucleares de
globos que intermitentes sobem
e descem por escadas invisíveis
que águias cegas trazem
de Nôtre-Dame...
Sinosnuvens carregados de
perfumes humanos chovem
no final desta noite sobre
o zoológico de plasma e tudo
retorna nos olhos de um gato
sabiamente
a ser luz solar
e Paris
é outro dia

(Leo Lobos)

A pintura de Leo Lobos nasce da poesia.
JS - ¿En qué contexto, exactamente, nace el poeta Leo Lobos?

LL - He sido un lector incansable desde mi infancia, mi encuentro con “escritores vivos” se ha producido en la Universidad, a la que ingresé cuando tenía 17 años a comienzos de 1980. He tenido entre mis compañeros de carrera y entrañables amigos, hasta el día de hoy, a los poetas Mario García, Sergio Rodríguez y Sergio Ojeda. Con ellos fuimos activos participes de los encuentros culturales realizados en la Universidad de La Serena en aquellos años, con los poetas Aristóteles España y Raúl Zurita, y encuentros académicos e informales con poetas como Braulio Arenas, Eduardo Llanos y Arturo Volantines. Desde muy niño he sido un lector perseverante, y desde la lectura a la escritura todo ha ido de manera natural, como del dibujo a la pintura, como de la palabra hablada a la escrita, desde el castellano a un idioma ajeno y desde ahí nuevamente a mi propia lengua.

JS – ¿Cuáles son sus lecturas, quién encantó tu universo poético?

LL - Entre mis autores podría mencionar a los poetas chilenos Pablo Neruda, Gabriela Mistral, Gonzalo Rojas, Enrique Lihn, Jorge Teillier, Eduardo Anguita y poetas cercanos a quienes leo y con quienes dialogo como por ejemplo José María Memet, Francisco Véjar y Milagro Haack. Entre los autores extranjeros que me han influido podría mencionar al poeta venezolano Rafael Cadenas, al mexicano Octavio Paz, al poeta francés René Char, a los brasileños Ferreira Gullar, Ledo Ivo, Roberto Piva y Décio Pignatari. La música y la pintura de creadores a quienes siento muy cercanos y que me han influido poderosamente como: Joan Miró, Roberto Matta, Miquel Barceló y Antoni Tápies. A los músicos Bach, Mozart, The Beatles, Tom Jobim y João Gilberto y su maravillosa música que me acompaña.

Buscando luzes na cidade luz 

À Paz carvajal e tão necessária Paz para este mundo e para o outro 
Busca que busca
a luz da palavra cruzando
rios e lagos
mares e montanhas internando-se em
cidades labirintos atuais bosques
submergidos de Santiago a Boston de
Nova Iorque a Paris, Paris, Paris e neste
bosque branco que, outra coisa, a mesma coisa
vejo-a parada aí
na rua
pensando talvez no eco
das águas entre a multidão e os autos velozes
buscando a luz, as luzes de uma pele
que ninguém poderá ferir enquanto perdidos
transeuntes
lhe perguntam
por onde
por que caminho
por que lugar se entra
se sai do espelho
de onde às vezes pensam escutar um triste Lewis
chorar por uma menina chamada
Alice
capturada por
ele
em
uma
história
paradoxal

(Leo Lobos)


fotografía: Emilio Arnés - 
en escultura de 
Niki De Saint Felle el año 1992.
JS – ¿Quién es Leo Lobos por Leo Lobos?

LL - Alguien que pretende descubrir la vida que ilumina la palabra. El poeta Vinicius de Moraes decía que no debemos hacer “ninguna concesión a la poesía no vivida”. Pues “La poesía es subversión del cuerpo”, nos dice el mexicano Octavio Paz. Goethe decía “los poemas que nacen de la nada no me interesan”. “Entonces un buen poema para mí es aquel que logra iluminar la vida vía verbo” dice el poeta brasileño Roberto Piva.




Parceria entre Leo Lobos e o projeto 
Cinema Possível






sábado, 2 de abril de 2011

Entrevista Exclusiva om Paulo Ciranda

Paulo Ciranda, músico nascido na cidade de São Fidélis - RJ conversa conosco. Fala de sua música e nos alimenta com sua humildade.
Paulo já participou de 3 Cine Clipes no projeto Cinema Possível. Vamos conhecê-lo melhor nesta entrevista concisa.


Cinema Possível – Sempre quis saber porque você adotou o nome de Paulo Ciranda, existe uma história por trás deste nome? Qual?
Paulo Ciranda - A partir da canção que fiz com Antonio Roberto Fernandez chamada “Ciranda” com a qual fomos premiados nos festivais de São Fidélis e Bom Jesus do Itabapoana.

CP  – De que maneira um profissional da música se encaixa hoje, num mercado tão diverso e às vezes caótico desses dias atuais.
PC - É difícil dizer sobre a situação geral; no meu caso tenho que me virar produzindo, gravando, dando aulas, fazendo shows...diria que o trabalho chega a ser o meu descanso.

CP - Traçando uma linha do tempo na tua carreira como músico. O que mudou? O repertório manteve-se, houve mudança de estilo?
PC - Tudo muda inclusive nós mesmos, não é? Mas havia maior democracia nos espaços de apresentação dos trabalhos do músico. Estarão sempre surgindo novidades, mas isso não pode impedir a preservação do que apareceu antes.

CP – Quem são os músicos que fizeram a tua cabeça, que tipo de som você curtiu e curte até hoje?
PC - Desde a raiz do folclore passando por Pixinguinha, Luis Gonzaga ao Clube da esquina, Tropicália, Handel, Bach, Beatles, Cat Steven, enfim, encheria a página...

CP – Existe uma diferença em conceber uma música a partir de um poema de alguém ou a partir de uma parceria de letra, qual a diferença?
PC - A diferença está nos limites e no respeito à métrica do poema que já está pronto, por outro lado quando se faz a música primeiro, o som é que te encaminha.

CP – Como você vê a realidade do audiovisual hoje, com a internet, repaginando e dando imagens a músicas? Você costuma assistir videoclipes? O que o videoclipe acrescenta na linguagem de um artista da música?
PC - Acho super positiva a soma do visual ao áudio, confesso que não assisto a qualquer vídeo, mas acho que o videoclipe pode enriquecer muito o entendimento da mensagem poética e musical.

CP - Quem é Paulo Ciranda por Paulo Ciranda?
PC - Eu sou apenas um compositor popular, uma pessoa simples e que tenta ser um ser melhor a cada dia. Desejo a todos muita paz no coração e um grande abraço cirandeiro.

Veja os cine clipes com Paulo Ciranda







domingo, 27 de março de 2011

Entrevista Exclusiva com Karol Schittini.


Nasceu em Coronel Fabriciano, interior de Minas Gerais. Criada descalça com pomar no quintal. As margaridas, seus pais e vizinhos eram o público até os 11 anos, quando subiu no palco pela primeira vez. Dança, recita poesia, faz acrobacias e escreve em qualquer lugar.

Karol Schittini fotografada por Alexandra Arakawa - 2010.
Cinema Possível  – Fale um pouco da sua Trajetória como atriz.
Karol Schittini – Fiz a Julieta na escola como atividade extra-curricular, uma adaptação para crianças, eu tinha 09 anos. Aí não parei mais. Comecei com o diretor Ricardo Maia. O grupo iniciou com 20 pessoas e estreiou com 4. Percebi que seria assim, instável para o resto da vida! Aos 10 anos, conheci mitos gregos e um pouco de História do Teatro e fiquei maravilhada com o Rito. Aos 11, subi no palco e circulei com a peça. Aos 12, vi a Fernanda Montenegro em cena. Não dormi naquela noite e voltei na seguinte, pois a classificação era 16 anos. Aos 13, li pela primeira vez a triologia do Stanislaksvi, depois segui com Grotowski, Boal e Brecht. Estes últimos, que levaram minha arte pra rua. E as fichas foram caindo ao longo dos anos... Aí fui querendo e fazendo teatro sempre. Fiz infantis, dramas, absurdos, comédias e tragédias.
Há dez anos, nasceu a Palhaça Cor Iza, quando comecei a desenvolver e ministrar a Oficina de Dramatização Infantil. O Peter Brook e o teatro oriental conheci na academia, na Graduação em Artes Cênicas/ UFMG. Depois vim para o Rio de Janeiro e estudei na Escola de Teatro Martins Pena.
Já tinha feito danças clássicas, e veio o Flamenco, dança indiana e as danças populares brasileiras. E Butoh, e o circo. Além da música, minha companheira.
É que tudo foi cabendo dentro do teatro...
O teatro pra mim é ação. Sentimento, emoção, catarse e reflexão; brotam do agir.

CP – O que o teatro pode modificar na vida de uma pessoa?
KS - Pode abrir um infinito leque de possibilidades de ver, ouvir e movimentar-se no mundo. Ele propõe a libertação dos medos, dos tabus e das convenções pré-estabelecidas e impostas; ensina o poder de crer, acreditar e realizar, porque habita no Vale Fértil da Criação Eterna.

Cor Iza, personagem de Karol Schittini, palhaça, que já tem 10 anos de
existência.
CP – Quais os filmes que você viu e gostaria de compartilhar com os
entusiastas do projeto Cinema Possível?
KS - Almodóvar, sem palavras.
Sou amante do Bergman.
Tem um documentário sobre Pierre Verger, com Gilberto Gil.
Cisne Negro, que está em cartaz, tem um roteiro bem elaborado.

CP – O que você tem feito atualmente relacionado a cinema e teatro?
KS - Atuo no repertório do Teatro Trupiniquim desde 2009 e nossa atual montagem é Cordel do Amor sem Fim, texto de Cláudia Barral.
Tem na boca do forno o monólogo Residência no Redemoinho, inspirado na obra do Guimarães e Neruda.
A Palhaça Cor Iza está distribuindo cores e flores por aí, nas ruas, livrarias e museus com brincadeiras populares e números de circo.
O curta “O Sol Manchado de Vermelho”, onde faço uma participação, está circulando em alguns cines e festivais.
Cena do filme Universo Caio, realização do projeto
Cinema Possível - 2008

CP – Fale um pouco de literatura. O que você lê, leu e gostaria de ler?
KS - Eu aprendi que escrever é todo dia, igual comer e dormir. E ler também. Literatura é uma via de mão dupla. Uma frase qualquer, uma palavra, qualquer coisa é a poesia do dia. Até desenhar significa escrever... E ainda tem exercício da Literatura Oral, contando histórias e ouvindo os causos de qualquer pessoa.
Agora leio mitologia e lenda africana, como estudo individual da formação da oralidade brasileira. Na cabeceira tem Pessoa, Guimarães, Florbela Espanca, Galeano, Neruda, Clarice Pinkola, a Bíbila, medicina e poesia oriental.
Conheci o Rimbaud através de Iluminações, uma estadia no inferno. Ótimo!
Vivo catando os poetas/escritores brasileiros... de todas as épocas; e sou fascinada pelo estudo dos ritos e religiões do mundo.
A Filosofia faz um alinhavo de vez em quando.
Separo sempre escritos de algum meu amigo para apreciar.
Leio dramaturgia, mas demoro mais, porque ela vai se encenando na minha cabeça, as primeiras impressões já tomam autônoma forma.
Não gosto de Machado de Assis, me cansa. Hahahahaha, pronto falei!

CP - Como foi a experiência de fazer um filme com o projeto Cinema Possível? O que isso acrescentou à sua vida artística?
KS - Foi uma porta aberta, como um clique, um estalo, a realização no agora, sem melindres. Eu já amava o cinema. Os caminhos vão se cruzando em perspectivas. Sou muito grata à vida por ter me transversalizado com o Jiddu, junto ao Cinema Possível. Ainda mais experimentando de cara o Caio Fernando Abreu.
Tenho aprendido no Cinema Possível o tempo do cinema, enquadrar naturalmente a ação, fazer boas coisas com boas ideias e perceber que não é a qualidade do equipamento que determina, mas a qualidade da mente e intencionalidade do roteiro, além de “saber quando, como e de onde olhar” e isso abriu caminhos para outras produções.

CP – Quem é Karol Schittini por Karol Schittini?
KS - A melhor sensação do mundo é a de desaparecer, emprestar a própria matéria para comunicar. Eu amo o teatro.
Clique e assista nosso filme com a atriz
Karol Schittini.



Visite o site do coletivo TRUPINIQUIM clique AQUI
Saiba mais sobre a peça premiada "O Cordel do Amor sem Fim" AQUI

domingo, 13 de março de 2011

ENTREVISTA COM DALMO SARAIVA

Dalmo Saraiva, nascido em Angra dos Reis, poeta e brincante. Seu livro "URUBU", já esgotado, teve um dos poemas filmado pelo projeto Cinema Possível, em 2009. Neste entrevista vamos conhecer um artista que não é apenas poeta, mas que fez de sua vida um poema.


Dalmo Saraiva e seu personagem:
Sô da Mamãe.


Cinema Possível - Porque lidar com poesia? Não seria melhor fazer outra coisa? Faz sentido esta vida?
Dalmo Saraiva - Poesia? Eu não lido com ela não. Talvez ela é que me instiga... que me maltrata... que me faz chorar de vez em quando... que me faz rir... que me faz irônico... que me deixa perplexo diante da vida... que abusa de mim (esse corpo cansado e suado de tanto rodar o mundo)... O meu amigo Milton Aguiar tem uma frase que eu sempre uso e que acho o máximo: "poesia dá asas mas também dá azia". E aí? eu gosto mais das asas onde posso voar embora meus textos incomodem um pouco... mas confesso... confesso... deixa prá lá! Hoje ainda não cometi pecados... Lidar com outra coisa? Sim, eu lido com outra coisa mas a outra coisa nunca me dá uma lida. Sim! Faz sentido esta vida sim. Aliás, esta vida não é máximo? Você que lida com ela poeticamente e mimicamente não acha o máximo? Ixe!

CP - Mas não só lidar como também gostar, vejo que você tem um certo amor por Antônio Nóbrega, Denise Stoklos, Zé Ramalho. Quem mais?
DS - Rapaz! você consegue deixar meus olhos cheios d’água... espera aí! Deixa eu respirar. Tenho sim, Jiddu! Tenho um amor por Antonio Nóbrega sim... tenho uma profunda admiração pelo trabalho dele e pela pessoa que é. E além de tudo é um grande amigo além de ter sido meu professor. É pena que eu sempre fico em segunda época com grandes professores como ele. Mas é sempre bom
ficar em segunda época para que eu aprenda mais.... Para mim cada espetáculo do Antonio Nóbrega é sempre uma aula. Na verdade
vi todos diversas vezes... acho que o verdadeiro brasileiro deveria
conhecer o "Tonheta" e parar de ficar vendo a novela das oito.
A Denise Stoklos é a essência da essência. É o Teatro Essencial.
Aquele que eu gosto... aquele que busca e faz pensar... O Zé Ramalho? Eu me identifico com o pau de arara... com
o brejeiro... acho ele um profeta e quem ouve "Cidades e Lendas" se remete para distante buscando histórias e estórias... Quem mais? São tantos. O professor Ivan Proença é um deles. Ele é um dos responsáveis pela minha in- vestida no teatro de rua, no texto literário, na poesia, na cultura brasileira, na música regional, na música
dos repentistas, nos cantadores. Um outro é o Julinho Pimentel... uma figura extraordinária que me ensinou muitas coisas... São muitos, Jiddu! São muitos. Até os índios Carajás de Aruanã, em Goiás, me ensinaram e eu fiquei fã deles... Se eu pudesse e não posso, queria encontrar Guimarães Rosa... queria encontrar Euclides da Cunha.... Queria encontrar Mário de Andrade... queria encontrar Câmara Cascudo... são muitos...

CP - Você nasceu lá pras Bandas de Angra dos Reis, estive lá, me pareceu um dos lugares mais bonitos do Brasil, e a Usina Nuclear?
O Reinado de Dalmo Saraiva e seu personagem
Sô da Mamãe.
DS -  Sim! Nasci na cidade de Raul Pompéia. Aliás, na cidade não. Nasci no mato. Nasci no município de Lopes Trovão e Brasil dos Reis... Lá é um dos lugares mais bonitos do mundo. É pena que perdeu a característica de cidade colonial. Seus governantes não tiveram a sensibilidade de preservação da história. Lá ia ser
fundada a cidade do Rio de Janeiro. Lá surgiram os primeiros teatros do Brasil. Engraçado! e ninguém sabe mas está nos livros. Com sete ou oito anos fui morar em Tarituba, em Paraty e lá comecei o meu primeiro dia de escola. Paraty está preservada até hoje e a sua história atrai turistas do mundo inteiro e Angra dos Reis está deitada ao lado do Rio do Choro reclamando as mágoas por causa de homens sem raízes. A Usina Nuclear? Aquilo lá é a peste do século XXI. Já participei de diversos movimentos contra aquela praga mas aquele estopim não está cercada só de granadinhas de urânio...


____________________________________________________________________________
"Dalmo Saraiva tinha e tem razão, o flagelo nuclear continua"!

Os acidentes nucleares do Japão são lições 
para o mundo inteiro.
É hora ou já passou a hora de revermos o
que fizeram em Angra dos Reis onde colocaram
os estopins chamados Angra I e Angra II.
 E agora?
“Eles” que eram “CONTRA” Angra I e II,
aprovaram a construção e estão construindo
mais uma MALDITA chamada Angra III.
Plano de evacuação?
Vamos evacuar! Vamos evacuar!
SÓ SE FOR DE DIARRÉIA.

(Dalmo Saraiva)

O Drama do Césio 137, a contaminação nuclear 
no Brasil - Veja o vídeo.


CP - O que acontece nos recitais de poesia, há algum magnetismo?
DS - Você sempre aparece, gostam de você. É bom ser gostado?
Magnetismo? Não sei não! Não sou de aço. Sou de pedra. Tenho Saraiva e Rocha no nome e o que é do nome o bicho come.

CP - Você demonstrava estar feliz, de bem com a vida. Dá pra estar de bem com a vida?
DS - De bem com a vida? Não! É a vida que está de bem comigo. Jiddu, a vida é uma séria brincadeira e a brincadeira da vida é muito séria. Deu para responder? A vida é muito boa, meu caro! Você sabe disso!

CP – Porque o seu livro se chama "Urubu"? O que você tem contra as garças brancas?
DS - Eu não tenho nada contra as garças brancas não. Eu fundei a Sociedade Protetora dos Urubus.
É um bicho preto da alma pura (se tiver). Eu admiro o seu misterioso
olhar e seu vôo... é um dos seres mais ecológico no mundo... E tem mais: eu queria ele (o livro) todo negro e isso vinha me criando dificiculdades a nível financeiro mas a Thereza (Editora
Ibiz Libis) falou que isso não  era problema. Acreditei. Eu tenho que acreditar, pois também já andei lá pelo ACRE e tive contatos com os urubus. É preciso ACRE ditar. Eu ACRE dito.
Mas não é só os urubus que tenho admiração não. Tenho admiração por todos. O nosso humor vem dos macacos e a nossa graça vem da garça. É preciso preservar os homens para que possamos valorizar os
animais.


CP - Quem é Dalmo Saraiva por Dalmo Saraiva?
DS - Jiddu! acima de tudo, nos conhecemos há bastante tempo e na verdade não sei muito bem quem eu sou. Ainda estou me procurando e quando penso que me achei, aí, eu escapo de mim mesmo. Eu participei de um workshop há algum tempo com uma pessoa sensacional que se chama Jorge e numa parte desse evento maravilhoso, cada um vai falar de si. Eu dizia na roda de pessoas (mais ou menos trinta) que eu era dois mas ainda existia um  terceiro... estou delirando? Acredito que não e até fico chateado comigo mesmo quando me taxam de maluco. Coisa que não sou.... apenas sou um experimentalista... um ousado... um irrequieto... um ser amigo dos criadores com quem aprendo e descubro uma parte de minha pessoa... essa pessoa que quando criança pulava as cercas dos circos poeiras na minha cidade para assistir as simples cenas dos palhaços pobres materialmente, porém ricos espiritualmente... é isso... e não pode ser aquilo.

Urubu, um filme do projeto
Cinema Possível a partir do
poema de Dalmo Saraiva.



Pesquisar este blog