Realização, pedagogia, criação e exibição de audiovisual.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Entrevista: Rodrigo Cintra fala de sua oficina de cinema.

Convidado pelo projeto "UVA na comunidade", Rodrigo Cintra estréia oficina de cinema do ConheCinema, como forma de ampliar a atividade realizadora e fazer a cabeça da molecada para a importância do cineclubismo, na Região dos Lagos.
Vamos conhecer, através desta entrevista, os meandros de sua maneira de fazer da ação cineclubista, algo que abarque um fazer cinematográfico para além da tela.

Novo nome do Cinema em Cabo Frio, Rodrigo Cintra criou cineclube, apoia a atividade cineclubista na região dos lagos
e agora, expandiu sua atividade para além da tela, contribuindo para a realização de filmes e oficinas - Foto: ConheCinema.
Cinema Possível - O que o ConheCinema está fazendo para encerrar bem o seu ano?
Rodrigo Cintra: Existe um projeto na UVA (Universidade Veiga de Almeida) chamado "UVA na Comunidade", no qual cursos da universidade oferecem atividade local. Esse projeto é uma parceria da universidade com a Secretaria Municipal de Educação.
A coordenação do curso de Comunicação Social convidou o ConheCinema para ministrar dois minicursos (audiovisual e fotografia) no campus. Eu e Andressa Monteiro, co-fundadora  do ConheCinema, aceitamos o convite e ficamos como professores.
O primeiro curso ministrado foi o de audiovisual, que começou dia 1 de novembro e acabou, oficialmente, dia 13 de dezembro. Mas acabei marcando uma aula extra com os alunos, que aconteceu na, quarta-feira, 20/12/2017, para refletirmos um pouco, sobre os filmes. Ano que vem haverá exibição da produção de filmes feitos pelos estudantes  e será, também, o inicio do curso de fotografia.

Set de filmagem, uma aula na prática. Foto: Cintra.
CP - Como está sendo a troca de experiência com os alunos?
Cintra - O curso começou no dia 1 de novembro deste ano. As aulas seguem sempre de 14h às 17h. Os alunos já aprenderam a: escrever roteiros cinematográficos, historia do cinema no mundo e a importância sociocultural do cinema. Ver o audiovisual não só como entretenimento, mas como mensagem, é muito importante para desenvolver um olhar social para o mundo e, a partir disso, sempre transmitir mensagens construtivas e não destrutivas à sociedade.

CP - Você está fazendo um set de filmagem com os alunos? Como é isso?
Cintra - Dar aula pra essa molecada é uma troca de conhecimento incrível. Cada ser humano possui a sua bagagem cultural e suas vivências. Em suma, cada um tem a sua história. Então, temos sempre algo a aprender e a ensinar.
Penso muito no cinema como instrumento social e político. Visto isso, esse curso de audiovisual é uma chance de troca de vivências e olhares tanto sobre a nossa sociedade física quanto a sociedade virtual/fictícia, que é a realidade dentro do filme. Observar uma obra cinematográfica, ou seja, pensar em quem são os personagens e por que eles agem de tal forma por exemplo, é refletir sobre a sociedade daquela realidade fílmica. Por tanto, todos os meus alunos têm muita luz para transmitir conhecimento e promover essa troca, porque ninguém é uma página em branco.


Atrizes do teatro de Cabo Frio: Raissa Mayo, Claudia Mury e Nathally Amariá, convidadas para estrelar o filme oficina
de Rodrigo Cintra. Foto: Cintra.

CP - Você acha que o cinema tem uma função política e social? Fale mais sobre isso.
Cintra - Eu comecei falando dessa função política e social enquanto dava a aula sobre posições de câmeras dentro de uma cena. Existe toda uma linguagem visual no filme (enquadramento, movimento de câmera etc), o que é bastante pensado na direção de fotografia. Quando se faz um Plano (trecho gravado pela câmera) em plongée e outro em contra-plongée, por exemplo, o que isso quer dizer dentro daquele filme? O que pode nos comunicar quando vemos alguém falando em cima de um palanque, distanciando o orador da plateia, ou quando o professor dá sua aula, hora em pé e hora atrás de sua mesa? Esses exemplos aqui citados, na prática, causam um distanciamento entre pessoas, e isso tudo é visto pelos nossos olhos no dia a dia. Observar isso, pra mim, é pensar cinema, no que ele tem de político e social, plenamente.

Na prática, fazer cinema é uma atividade
trabalhosa e meticulosa, aprender a fazer é
um exercício de entrega. Foto - Andressa M.
CP - Você convidou artistas de destaque na cidade de Cabo Frio para rodar os filmes dos alunos, qual foi o resultado?
Cintra - Fiz questão de escolher, a dedo, todo o elenco. Quis atrizes com maturidade dramatúrgica e com amor a essa causa social. Poder levar para adolescentes a oportunidade de trabalhar com atrizes profissionais proporciona uma troca bem legal para ambos, além dos alunos poderem vivenciar mais o 'fazer cinema'. Eles se divertiram muito fazendo a direção, fotografia, som, continuidade etc. Foi uma experiência muito agradável, mas o trabalho foi de gente grande.
As atrizes Cláudia Mury, Nathally Amariá e Raíssa Mayo, colaboraram muito com a aprendizagem dos alunos também. Todas trataram os alunos com muito carinho, respeito e paciência. Espero trabalhar com elas mais vezes!
CP - Fale um pouco da tua relação com a equipe do conhecinema e também, do curso que você está ministrando.

Cintra - Para responder essa pergunta, devo contar antecipadamente que Andressa Monteiro é uma amiga pessoal. Isso torna qualquer trabalho muito mais agradável, porque é sempre uma chance de estarmos próximos fisicamente. Andressa é uma mulher muito criativa e determinada. Junto ao Marcio Fujarra, também amigo meu de longo anos. Andressa criou toda a identidade visual do ConheCinema, durante o período em que foi nossa diretora de criação, ela sempre colaborou demais para o projeto, criando todos os brindes que sorteamos nas sessões cineclubistas do ConheCinema e tudo mais.
Andressa, também, é uma pessoa que sempre me apoiou a ideia do ConheCinema ministrar cursos. Se hoje estamos dando aulas, devemos muito isso a ela. Não é a toa que Andressa também ministrou o curso de Introdução ao Audiovisual comigo, e fez um excelente trabalho como professora dando as aulas teóricas e auxiliando os alunos nas gravações. As composições fotográficas dela são belíssimas, então da pra imaginar como foram suas aulas. Muito orgulho de ter uma pessoa assim, tão criativa e verdadeira, como amiga! Trabalhar com ela foi e é, uma oportunidade incrível.

Descobrir como se manuseiam os equipamentos é uma prática complexa, que exige um passo de cada vez, numa oficina
tudo é construção de um caminho para o resultado que chegará à tela. Foto: Cintra.
CP - Quais seus planos para o audiovisual, fotografia e cineclubismo para 2018?
Cintra - 2018 será um ano que promete vir com tudo. Não por questões supersticiosas, nem nada do tipo. Mas muitas coisas boas têm acontecido corriqueiramente neste ano de 2017, o que já tem gerado frutos. Esses frutos estão concebendo sementes que vão propiciar coisas maravilhosas para o ano que está por vir.
Em 2018, manteremos nossas atividades, trabalhando cada vez mais no desenvolvimento delas. Pretendemos também trazer mais novidades para a página do ConheCinema e ampliar cada vez mais nossas ações. Nos acompanhem pelo Facebook! Vamos dar muito o que falar, para o bom do cinema brasileiro!

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Jiddu Saldanha - Blogueiro.



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